Dois casos de emergência médica nos
últimos meses, alertaram a opinião pública amarantina para deficiências na
forma como o socorro é prestado no concelho de Amarante. No mês de dezembro de
2013 o Jornal de Notícias escrevia a manchete: “Idosa morre após espera de 45
minutos por socorro”. Isto aconteceu na freguesia de Ôlo com uma idosa que
sofria de problemas coronários. Os Bombeiros Voluntários de Amarante
esclareceram, na altura, que não tinham ambulâncias disponíveis para acorrer a
esta emergência, sendo chamados os Bombeiros Voluntários de Vila Meã, que
demoraram os normais 45 minutos até chegarem ao local. Maria Marinho, filha da
vítima, disse na altura que “ficamos sempre com a dúvida. Se tivessem chegado
mais cedo, poderia estar viva”.
Neste mês de Fevereiro, novo episódio
foi notícia nos jornais e televisões nacionais. A Agência Lusa titulou que “Bombeiros
de Amarante sem meios para socorrer idoso que morreu a 100 metros”. Luís
Ribeiro, Comandante dos voluntários Amarantinos disse à lusa que "Só
ficámos a saber onde era quando vimos a viatura de emergência médica no lar
aqui ao lado. A corporação não pôde corresponder ao
pedido de disponibilidade do CODU, porque no quartel, àquela hora, não havia
ambulância disponível”.
De referir que voltaram a ser chamados
os Bombeiros Voluntários de Vila Meã para esta emergência. Depois de intensa
reanimação por parte dos serviços de enfermagem da Santa Casa da Misericórdia
de Amarante e as manobras do suporte básico de vida com desfibrilhador de um
bombeiro especializado Vilameanense, a idosa de 92 anos acabaria por falecer. Não é seguro que as
vítimas destes dois casos não viessem a falecer, mesmo que o socorro fosse mais
imediato. O que é certo e seguro, é que o tempo é fundamental e decisivo na
prestação de qualquer socorro para emergência médica. Estes dois casos, em
apenas dois meses, são motivo de grande preocupação para os amarantinos. Face a
isto, o Amarante TV e o jornal Flor do Tâmega entendeu ouvir as duas partes,
diretamente interessadas. Os Voluntários de Vila Meã acederam à entrevista,
enquanto os Voluntários de Amarante nos remeteram simpaticamente para um
comunicado que remeteram à imprensa.
RICARDO VIEIRA – PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DOS BOMBEIROS
VOLUNTÁRIOS DE VILA MEÃ
FLOR DO TÂMEGA – O que
é que divide os Bombeiros Voluntários de Vila Meã ou a Associação Humanitária e
a de Amarante?
RICARDO VIEIRA - Da nossa parte
nada nos divide, pelo contrário, nós partilhamos um bem que é o de salvar vidas
e salvar património, que é essa a nossa missão por isso nada nos divide.
Qualquer especulação que haja nesse sentido é falsa. Agora se outros acharam
que é incompatível trabalhar com os bombeiros de Vila Meã, isso é um problema
de quem pensa dessa forma, nós não pensamos nem nunca pensaremos, nem nunca
cultivaremos dentro desta casa qualquer sentimento de divisão em relação aos
Bombeiros Voluntários de Amarante. Se me está a fazer essa pergunta é porque se
calhar lá nota ou lhe terão dito que haveria alguma divisão entre as duas
corporações. Se há, é unilateral essa divisão. Eu posso-lhe dizer que nós
tínhamos como intenção e logo que haja condições de ambas as partes para fazer,
de propor aos Bombeiros Voluntários de Amarante que se realize uma minimaratona
que teria lugar uma vez por ano. Um ano sairia do quartel dos Bombeiros
Voluntários de Vila Meã e acabaria nos Bombeiros de Amarante e no ano seguinte
seria o percurso contrário. Como vê da nossa parte não há qualquer divisão com
os Bombeiros Voluntários de Amarante.
FT - De qualquer
das formas a Associação Humanitária de Vila Meã queixa-se que os transportes
não urgentes de doentes estão quase em exclusividade com os Bombeiros de
Amarante, porquê?
RV - Nós lamentamos
essa situação mas os Bombeiros de Amarante aí também não têm responsabilidade.
O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, como uma medida economicista, tabelou o
valor das transferências e tabelou com base na distância percorrida pela
corporação de Bombeiros mais perto do respetivo hospital. É evidente que o
Hospital de Amarante é na cidade, os bombeiros são na cidade, percorrem menos
quilómetros até ao hospital do que nós, por isso o CHTS tomou a iniciativa de
atribuir os serviços aos Bombeiros Voluntários de Amarante. Aqui só há um senão. Há
dois tipos de transferências, umas com retorno para o hospital, outras sem
retorno e nas sem retorno nós praticamos exatamente o mesmo valor que os
Bombeiros de Amarante, mesmo assim nós fomos excluídos desses transportes. Só
somos chamados quando outras corporações não têm meios ou quando há jogos de
futebol importantes ou há algum jantar mais importante, ou que há alguém que
tenha mais importância decida jantar, Nós, apesar do futebol, apesar de
jantares serem importantes e muitas vezes em família, nunca recusamos qualquer
transferência. Agora o que nós lamentamos é que os Bombeiros Voluntários de
Amarante absorvam todos os meios físicos, no caso concreto de viaturas para o
transporte de doentes não urgentes, para essas respetivas transferências que é
aquilo que dá dinheiro. Eu lamento, mas lamento não só por ser os de Amarante
mas lamento que haja esse tipo de abuso de qualquer corporação quando sabemos
porque os nossos bombeiros vão todos os dias para os hospitais e vêm a ser
feitas transferências em viaturas de emergência. Se as viaturas de emergência
estão a fazer transferências de doentes não urgentes que podem esperar mais um
quarto de hora, mais meia hora, uma hora ou o que for, depois faltam para
aquilo que elas de facto se destinam que é para o socorro a vítimas e
acidentes, doenças súbitas. Os bombeiros não são uma empresa de transporte. Os
bombeiros precisam de transporte para sobreviver porque apesar de muita gente
achar que os bombeiros são uma instituição sem fins lucrativos, os bombeiros
têm muita despesa e têm que com alguma regularidade ir renovando não só a sua
frota automóvel, mas os outros meios de proteção individual dos
bombeiros, para que sejamos mais eficazes no socorro à população. Agora não é
aceitável é que se queira comer a carne toda e depois se deixe os ossos para
nós e é isso que nós repudiamos e lamentamos. Os Bombeiros de Amarante não têm
qualquer culpa na atribuição dos transportes por parte do CHTS. Terão aqui
alguma culpa mas isso é uma questão de consciência de quem gere as associações,
se depois deixam de ser uma associação voluntária e humanitária para passar a
ser uma mera empresa de transportes. Não se pode ver os bombeiros no aspeto
mercantilista da coisa. Os bombeiros não são uma empresa. Os bombeiros têm uma
missão que é uma missão importantíssima, se calhar aquilo que mais dignifica, é
salvar vidas humanas.
FT - As vossas
relações com os Bombeiros de Amarante esfriaram um pouco com toda esta
situação?
RV - Eu vou ser
sincero. Nós estamos cá na direção há 3 anos e eu sempre notei de algumas
pessoas dos Bombeiros de Amarante, algum amargo pela nova situação dos
Bombeiros Voluntários de Vila Meã. Não sei se quereriam que nós fechássemos,
não sei se quereriam tomar conta da nossa corporação. A verdade é que eu sempre
notei isso, infelizmente. Fiz notar isso às entidades que achei que devia
fazer, quer à Federação Distrital dos Bombeiros quer ao próprio Presidente da
Câmara, quer ao anterior, quer ao atual. Mas nós não estamos aqui para
alimentar guerras, o que nós queremos é que de facto as coisas funcionem como
deve ser. Não há aproveitamento nenhum desta situação da nossa parte. Agora é
um facto que estes episódios, como o comandante disse que aconteceu à dois meses em Ôlo e
aconteceu agora, só acontecem por coincidência ou talvez não, desde que houve
esta mudança de política de atribuição dos transportes por parte do hospital.
Até aí foram raras as vezes, ou se calhar nenhuma, que nós tivéssemos sido
chamados para emergências fora da nossa área, principalmente na área que é dos
Bombeiros de Amarante. Daí para cá nós somos chamados para Alto de Espinho,
somos chamados para Salvador do Monte, somos chamados para Jazente, somos
chamados para o centro da cidade. Nesse dia em que ocorreu o episódio
lamentável de se ter perdido uma vida humana, tínhamos sido, minutos antes,
chamados para um acidente perto de São Gonçalo. Por isso é isso que nós não
queremos ou gostaríamos que não acontecesse. E depois há aqui outra questão que
se levanta. Eu não falo só enquanto Presidente dos Bombeiros Voluntários de
Vila Meã, eu sou um cidadão de Amarante. Eu posso estar na cidade ou em
qualquer parte do concelho que não seja da área dos Bombeiros Voluntários de
Vila Meã e ter um problema qualquer. Posso ter um acidente, posso ter um
problema qualquer de saúde, uma doença súbita e posso ter que esperar muito
mais tempo do que aquilo que era desejável para ser salvo. Quem diz eu, diz
qualquer pessoa da nossa família ou não. Eu aquilo que fiz, que achei que
deveria fazer foi transmitir ao Presidente da Câmara porque é a entidade máxima
da Proteção Civil no Concelho de Amarante, o que se estava a passar e ver se
ele achar por bem que deve interferir neste processo que o faça. Também há quem
diga da corporação de Amarante que também vem fazer serviços a Vila Meã.
Que nós saibamos, vieram fazer um serviço na partilha da nossa área com a área
de Amarante, na zona de Pidre e porque foram acionados pelo CODU. Se fossem os
bombeiros de Vila Meã a ser acionados teriam ido. Não vale a pena aqui tapar o
sol com a peneira e dizer que não se tem viaturas. Nós temos três viaturas de
emergência e temos a área que temos que é muito inferior à dos Bombeiros de
Amarante, quer em área, quer em população. Os Bombeiros de Amarante têm mais
viaturas que nós, por isso eles não se podem desculpar da situação de não
socorro a uma vítima porque tinham três viaturas para fora. Há que ajustar os
meios. Eu não quero mandar na casa dos outros, nem tão pouco sou sócio dos
Bombeiros Voluntários de Amarante. mas é uma preocupação que eu enquanto
amarantino acho que devo ter e acho que todos nós devemos ter. Eu disse, em tom
de brincadeira, meio a brincar e meio a sério, ao Presidente da Autarquia que
ele corria o risco de ter um problema qualquer dentro da Câmara Municipal de
Amarante e ter que esperar 50 minutos pelos bombeiros de Vila Meã. A verdade é
que ele também teria uma certeza, é que seria bem assistido mas tanto seria bem
assistido. Nunca ninguém pôs em causa o profissionalismo e o brio dos
voluntários da corporação de Amarante. A questão aqui não é essa. A questão
aqui é mais grave que é quando se impõe aos bombeiros que se dê prioridade às
transferências, descurando aquilo que é o essencial da corporação de bombeiros.
Nós aqui temos bastantes dificuldades financeiras como acho que toda a gente da
região sabe, mas fazemos um esforço enorme para manter as viaturas em bom
estado dentro daquilo que é possível, para que a nossa população nunca fique em
segundo plano. Uma vida vale tanto aqui, na nossa localidade, como vale em
Amarante, mas eu acho que as associações têm que estar organizadas para
socorrer dentro daquilo que é o razoável. Aquilo que nos custa é ver que se
está a descurar isso para privilegiar o negócio que eventualmente seria
aceitável por uma empresa de transportes mas não para uma corporação de
bombeiros voluntários.
ALBANO TEIXEIRA – COMANDANTE DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE VILA MEÃ
FT - É normal irem
tantas vezes a Amarante prestar socorro?
ALBANO TEIXEIRA -
Não é assim tão normal. Aconteceu em dezembro uma situação que tivemos que ir a
Ôlo, que infelizmente também não conseguimos reverter o quadro que se nos
deparou, porque a pessoa acabou por falecer. Nesta última situação nós fomos
contactados quatro vezes para irmos a Amarante, fora da nossa área de
intervenção. Tivemos capacidade de resposta para as duas primeiras.
Infelizmente nas duas últimas já não tivemos capacidade de resposta porque já
tínhamos esgotado os meios.
FT - Só são
chamados porque os Bombeiros de Amarante não podem acorrer?
AT - Aqui há algo a
montante que falha. Lamento contudo ter vindo a saber, á posteriori, que antes
de Vila Meã ser chamado para esta situação que foi conhecida, o facto de antes
nós terem sido chamados a Cruz Vermelha e os Bombeiros Voluntários da Lixa que
até estão fora da área do concelho. Portanto, demoramos 20 minutos mas já
tinham passado 50.
FT - O facto de mediar
cerca de 20 minutos na prestação do socorro, isso pode ser muito importante?
AT - Muito
importante porque tudo depende do quadro que se faz sentir na altura perante o
doente ou o paciente. Neste caso, o que aconteceu foi que felizmente tínhamos
dentro da nossa associação um elemento da intervenção permanente credenciado
que só sai para este tipo de ocorrências e que após o conhecimento do quadro se
fez logo munir de um desfibrilhador automático externo. Se bem que o primeiro
alerta foi a informação que estava com convulsões o senhor, mas como a faixa
etária era elevada, 92 anos, pensou-se logo o pior e muniu-se do equipamento.
Chegado ao local, executou as manobras do suporte básico de vida, executou a
manobra também com o desfibrilhador automático externo na possibilidade de
tentar reverter a vida até que chegasse o INEM. Contrariando algumas indicações
que foram referidas, coisa que eu nunca disse, que foram os Bombeiros de Vila
Meã que confirmaram o óbito. Não, os Bombeiros de Vila Meã mantiveram as
manobras até que chegasse a equipa médica e aí sim, confirmou o óbito.
FT - Com a sua
experiência o que é que acha que deveria ser feito para correr de outra forma?
AT - Eu penso que
deveria de haver aqui um só propósito: socorro, salvaguarda de bens, melhor
salvaguarda de vidas. Existe um acordo entre o comando e a direção que nos
norteia. Nós temos que garantir sempre no nosso parque, três viaturas de
emergência. Nós temos viaturas de emergência, três que não saem mesmo que seja
necessário, por exemplo, uma transferência hospitalar, existe a recusa porque
elas não saem. Tenho que salvaguardar essa situação e caso exista esta
vulnerabilidade de meios que a qualquer momento pode acontecer porque é fácil
acontecer uma avaria, é fácil acontecer duas ou três ocorrências que nos
mobilizem os meios que estão sempre no parque. Haver uma cordialidade num
telefonema direto, é simples. Se eu não puder ir a uma freguesia, Pidre ou a
Mancelos, não me custa nada, a minha central tem indicações de fazer logo uma
chamada direta aos Bombeiros Voluntários de Amarante: “Preciso da vossa ajuda”
ou a Castelões ou aos Bombeiros de Penafiel ou Marco: “Preciso da vossa ajuda
para nos ajudar no socorro”. É um dado que está identificado, portanto, isto já
trás algum retorno, já trás alguma história, está identificado. Temos mais que
argumentos para avaliar este risco e é um risco ao qual nós não podemos dizer
que não estamos vulneráveis a ele. Amanhã é o dia que pode acontecer isso em
Vila Meã, mas amanhã é o dia que se acontecer e oxalá que nunca aconteça, temos
outros mecanismos a desencadear antes de demorarmos 50 minutos, isso é um dado
adquirido
COMUNICADO
Face às notícias divulgadas no dia 12/02/2014 na comunicação social, entendeu esta Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante esclarecer os seus associados e a comunidade em geral.
As saídas para emergência pré-hospitalar são da responsabilidade do INEM através do CODU.
Esta Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante (PEM-Posto de Emergência Médica), tem um protocolo com o INEM em que assume o compromisso de garantir 24H / 24H tripulação especializada para a viatura SBV – Suporte Básico de Vida, propriedade do INEM.
Garante 24H / 24H uma segunda viatura de reserva ao INEM também com tripulação especializada, sendo esta viatura propriedade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante.
No referido dia e hora aludidas pela comunicação social, esta Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante, tinha três (3) viaturas em ocorrências de emergência, sendo uma delas a uma criança de dezoito (18) meses com o apoio da SIV.
A viatura SBV - INEM encontrava-se na oficina a executar a revisão normal autorizada e agendada pelo INEM.
Não entendemos assim de quem são as falhas e que falhas, referenciadas nos órgãos de comunicação social.
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante continua com a certeza que os objectivos serão sempre o empenho e dedicação constantes, especialmente nas situações de emergência, servir a população que em nós confia e preservar o património que a todos pertence.
Autor: DC Data: 2014-02-25
Face às notícias divulgadas no dia 12/02/2014 na comunicação social, entendeu esta Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante esclarecer os seus associados e a comunidade em geral.
As saídas para emergência pré-hospitalar são da responsabilidade do INEM através do CODU.
Esta Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante (PEM-Posto de Emergência Médica), tem um protocolo com o INEM em que assume o compromisso de garantir 24H / 24H tripulação especializada para a viatura SBV – Suporte Básico de Vida, propriedade do INEM.
Garante 24H / 24H uma segunda viatura de reserva ao INEM também com tripulação especializada, sendo esta viatura propriedade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante.
No referido dia e hora aludidas pela comunicação social, esta Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante, tinha três (3) viaturas em ocorrências de emergência, sendo uma delas a uma criança de dezoito (18) meses com o apoio da SIV.
A viatura SBV - INEM encontrava-se na oficina a executar a revisão normal autorizada e agendada pelo INEM.
Não entendemos assim de quem são as falhas e que falhas, referenciadas nos órgãos de comunicação social.
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amarante continua com a certeza que os objectivos serão sempre o empenho e dedicação constantes, especialmente nas situações de emergência, servir a população que em nós confia e preservar o património que a todos pertence.
Autor: DC Data: 2014-02-25

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